O número de leitos destinados para pacientes internados com o novo coronavírus na rede pública de saúde do Amazonas foi reduzido pela metade, comparado ao número ofertado durante o pico da pandemia no estado, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Susam). Conforme o órgão, com a diminuição do número de internações, os leitos destinados à pacientes com Covid-19 estão sendo reordenados para outras unidades de saúde.

De acordo com a Susam, até esta sexta-feira (31), o sistema de saúde do Amazonas tem 501 leitos exclusivos para pacientes Covid-19, sendo 101 de UTI e 400 clínicos. Durante o pico da pandemia, entre 26 de maio e 1º de junho, as unidades de saúde chegaram a ter uma média de 1.070 leitos para Covid-19.

A diferença da disponibilização de leitos durante o pico da pandemia do novo coronavírus e a situação atual, segundo a Susam, representa uma diminuição de 53,2%. O número de casos confirmados pela doença chegou a mais de 100,9 mil, com mais de 3,2 mil mortes, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde, nesta sexta-feira (31).

Segundo o órgão, o reordenamento dos leitos dos hospitais e pronto-socorros estaduais que realizaram o atendimento de pacientes com Covid-19 tem acontecido de forma dinâmica e gradativa, conforme a diminuição do número de internações verificadas por cada unidade, desde o mês de junho, voltando a atender pacientes de outras enfermidades.

Conforme os números consolidados pela Susam, na última quinta-feira (30), a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid era de 72%, o que representa 73, leitos ocupados de 101 disponíveis. Em relação aos leitos clínicos Covid, a taxa de ocupação estava em 58%, que representa 232 leitos ocupados de 400 disponíveis no sistema de saúde.

A alta porcentagem vista na taxa de ocupação de leitos Covid em relação às últimas semanas, conforme a Secretaria, é reflexo do reordenamento da rede da Susam.

 

Redução da curva de contágio

De acordo com as autoridades, uma tendência de queda nos casos depois do pico ocorrido maio quando o estado registrou mais de 11 mil casos em sete dias, foi constatada em julho. Há quase cinco semanas o estado apresenta redução progressiva nos números de novos diagnosticados e mortos. Especialistas apontam como uma das explicações a “imunidade de rebanho” – estratégia que parte do princípio de que, uma vez que grande parte da população já tenha sido infectada, indivíduos ainda vulneráveis têm menor chance de contágio.

Após a constatação de queda no número de internações e casos da doença, o hospital de referência para tratamento de pacientes com a Covid-19 Nilton Lins foi fechado em Manaus, no dia 16 de julho, segundo a Susam. Em junho, o hospital de campanha municipal também encerrou os atendimentos.

Por conta da queda de casos e mortes, o cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, suspendeu, em junho, o sistema de enterros em vala comum e retomou os sepultamentos em covas individuais. O sistema de valas comuns, chamado pela prefeitura de “trincheira”, era realizado desde o dia 21 de abril, quando o aumento da demanda saltou de uma média de 30 enterros diários, para mais de 100 por dia.

Em abril, a capital chegou a bater um recorde de 140 enterros em 24 horas. Atualmente, os números voltaram à média, de 30, registrada antes da pandemia. A capital chegou a registrar mortes 108% acima da média histórica e sofreu um colapso funerário por conta dos casos de Covid-19, com enterro de caixões empilhados e em valas comuns.

 

Fonte: G1.com
Foto: Ingrid Anne/HCM