Em 2013, o dinamarquês Torbjørn “Thor” Pedersen (@onceuponasaga) leu uma reportagem que informava que, até aquele momento, havia o registro de aproximadamente 200 pessoas que já tinham estado em todos os países do mundo, e que todas elas haviam alcançado este feito com a ajuda do avião.

Thor, então, teve vontade de realizar algo supostamente inédito: pisar em todas as nações do globo sem pegar um único voo.

Cresci sentindo que tudo já tinha sido feito neste mundo. Há pessoas que já chegaram ao topo das montanhas mais altas, estiveram no Polo Sul e no Polo Norte e há gente que já foi até para a Lua. E me empolguei quando soube que eu poderia ser a primeira pessoa a visitar todos os países da Terra sem pegar nenhuma aeronave.

O dinamarquês logo começou a planejar sua jornada e, naquele mesmo ano de 2013, deu início à sua epopeia global. E ele ainda se encontra na estrada: desde então, não voltou mais para a Dinamarca e afirma já ter visitado 194 países sem fazer uso de nenhum trajeto aéreo.

De ônibus a navio de carga

Atualmente em Hong Kong, Thor conta já ter pisado, desde 2013, em todos os países da Europa, das Américas, da África, em quase toda a Ásia e em alguns locais da Oceania. Para completar sua meta, ele ainda precisa visitar Palau, Vanuatu, Tonga, Samoa, Tuvalu, Nova Zelândia, Austrália, Sri Lanka e Maldivas.

Em sua lista, o dinamarquês considera como países a serem visitados um total de 203 territórios do mundo. Entre eles, estão todas as nações que fazem parte da ONU e territórios do globo que possuem autonomia, se consideram nações, mas não são reconhecidos como Estados independentes por toda ou grande parte da comunidade internacional.

E como ele conseguiu percorrer o mundo sem pegar avião?

“Para ir até ilhas ou viajar por mar entre continentes, já estive basicamente em tudo que flutua. Já peguei balsas, veleiros e até navios de carga. Na América Latina, realizei quase todos os percursos de ônibus. Já na Europa, África e Ásia, usei uma boa quantidade de trens. Mas também já me locomovi de carro, moto, vans e até caminhões.

Ele, por exemplo, relata que pegou um navio cargueiro para ir da Islândia até o Canadá.

No trajeto, enfrentamos uma tempestade que durou quatro dias. O navio foi atingido por ondas enormes e balançou violentamente. Dentro da embarcação, os móveis caíam. E tudo isso aconteceu em uma área não muito longe de onde o Titanic afundou.

Já na Ásia, determinado a cumprir sua meta de não pegar avião de jeito nenhum, ele decidiu encarar um desvio gigantesco para ir até o Paquistão. Na Mongólia, tentou chegar ao Paquistão cruzando parte da China, por um dos caminhos mais práticos. Mas a China não deu visto para que ele fizesse esta travessia.

Tive que dar uma volta gigante, passando pela Rússia, Ucrânia, Geórgia, Armênia e Irã, antes de chegar ao Paquistão. Foi um desvio de quase 13.000 quilômetros, por países que eu já havia visitado.

 

No Brasil também houve um pequeno apuro, em uma viagem de ônibus entre Porto Alegre e Florianópolis. Na parada em um posto de serviços, Thor não entendeu o que o motorista disse, foi comer e, do restaurante, viu o ônibus indo embora, com toda sua bagagem.

Por sorte, um homem que estava no posto, chamado Oswaldo, me colocou no seu carro e conseguimos alcançar o ônibus.

E, na República do Congo, ele diz ter viajado por dois dias na caçamba de um caminhão, que carregava dezenas de pessoas locais.

A estrada era horrível e, no começo da viagem, estava me sentindo muito infeliz. Mas, de repente, veio o pôr do sol e aquelas pessoas começaram a cantar uma bela música em seu idioma. E aí notei que as paisagens à nossa volta eram lindas. Foi um momento muito bonito.

 

Thor encara todos estes obstáculos como parte natural da viagem que está realizando. Nas postagens que faz em suas redes sociais e no site que criou para a jornada (www.onceuponasaga.dk), ele sempre busca mostrar o lado positivo dos lugares que visita — especialmente os países que têm fama de problemáticos ao redor do mundo.

Além de registrar as paisagens perfeitas de locais como os Andes, o Himalaia, os Alpes e o Sudeste Asiático, o dinamarquês faz questão de ressaltar, por exemplo, as belezas naturais da Venezuela, a rica cultura da Etiópia e a hospitalidade dos iranianos.

Thor tem uma missão paralela em sua jornada: em quase todos os países que pisa, ele busca uma unidade da Cruz Vermelha, para fazer qualquer tipo de trabalho voluntário com a entidade.

 

A esta altura, Thor (que está com 42 anos) já gostaria de ter completado sua viagem por todos os países do mundo. Mas a crise da covid-19 atrasou seus planos.

Por causa da pandemia, ficou preso em Hong Kong e estava planejado para pegar um navio cargueiro até Palau. Mas a viagem foi cancelada.

E todos os países que ainda não visitei, como Nova Zelândia, Austrália, Sri Lanka e Maldivas, são ilhas. Alguns estão fechados neste momento para turistas e, para ir a muitas destas nações, não há opções de trajetos marítimos, também por causa da covid”. Mas depois de já ter percorrido quase todo o globo, Thor não pensa em desistir: “só preciso visitar mais nove países para chegar ao meu objetivo“.