Cansado da vida na cidade, um casal de Praia Grande, litoral de São Paulo, decidiu largar tudo para viver um sonho: morar em uma Kombi adaptada, viajando pelas estradas do País. Em três anos e meio, o ex-guarda municipal Rogério Fonseca, 55, e sua esposa, a ex-operadora de caixa Alessandra Fonseca, 38, visitaram 418 cidades das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Em sua jornada de milhares de quilômetros, a dupla de viajantes enfrentou fenômenos da natureza, vislumbrou paisagens inesquecíveis, viveu perrengues complicados e também momentos de intensa felicidade: como a gravidez de Alessandra e o nascimento do filho, batizado como Arthur Aventureiro. Um nome mais que adequado para uma criança que fez sua primeira viagem de longa distância aos 16 dias de idade.

Casal abandona empregos, aprende artesanato e visita 418 cidades em Kombi

A ideia de viver viajando pelo Brasil surgiu em 2017 quando Rogério “esbarrou” sem querer em uma série de vídeos no YouTube, que mostravam as viagens de um casal em uma Kombi adaptada.

Eu era guarda municipal na época e estava enfrentando um período difícil. Havia mergulhado na depressão e estava vivendo à base de remédios. Conversando com minha esposa, mostrei os vídeos e ela concordou em fazermos uma mudança radical.


Os caminhos que levariam à tão desejada mudança, porém, não foram fáceis. Afinal, ambos tinham uma vida confortável, com casa própria financiada, carro, moto, rendimento familiar acima de R$ 10 mil. Mas como a saúde mental do marido só se deteriorava, Alessandra topou o desafio e eles largaram seus empregos.

Cansado da vida na cidade, um casal de Praia Grande, litoral de São Paulo, decidiu largar tudo para viver um sonho: morar em uma Kombi adaptada, viajando pelas estradas do País. Em três anos e meio, o ex-guarda municipal Rogério Fonseca, 55, e sua esposa, a ex-operadora de caixa Alessandra Fonseca, 38, visitaram 418 cidades das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Em sua jornada de milhares de quilômetros, a dupla de viajantes enfrentou fenômenos da natureza, vislumbrou paisagens inesquecíveis, viveu perrengues complicados e também momentos de intensa felicidade: como a gravidez de Alessandra e o nascimento do filho, batizado como Arthur Aventureiro. Um nome mais que adequado para uma criança que fez sua primeira viagem de longa distância aos 16 dias de idade.

 

A ideia de viver viajando pelo Brasil surgiu em 2017 quando Rogério “esbarrou” sem querer em uma série de vídeos no YouTube, que mostravam as viagens de um casal em uma Kombi adaptada.

Eu era guarda municipal na época e estava enfrentando um período difícil. Havia mergulhado na depressão e estava vivendo à base de remédios. Conversando com minha esposa, mostrei os vídeos e ela concordou em fazermos uma mudança radical.

Os caminhos que levariam à tão desejada mudança, porém, não foram fáceis. Afinal, ambos tinham uma vida confortável, com casa própria financiada, carro, moto, rendimento familiar acima de R$ 10 mil. Mas como a saúde mental do marido só se deteriorava, Alessandra topou o desafio e eles largaram seus empregos.

Casal deixou tudo para trás para viver em Kombi - Instagram/Reprodução - Instagram/Reprodução
   Rogério e Alessandra tiveram dificuldade no início, mas hoje comemoram vida na estrada

A partir daí, foram meses de pesquisa e preparação, até que, com o dinheiro recebido com sua exoneração da prefeitura, Rogério conseguiu comprar a primeira Kombi, batizada de Haryana. O veículo foi trazido de Santa Catarina, ainda sem as adaptações necessárias para transformá-lo no novo lar.

“Compramos a Haryana por R$ 8 mil e investimos R$ 17 mil nas adaptações, que incluíram climatizador de ar, isolamento térmico, reservatório de água, marcenaria para os móveis sob medida, baterias, fogão e geladeira. Quando a Kombi ficou pronta, doamos nossas roupas e objetos pessoais para uma aldeia indígena de Praia Grande e então partimos, em 2018, rumo ao Sul”.

E o banheiro? Garrafas e sacolas plásticas

Durante os três primeiros meses, a experiência se mostrou difícil. Embora a liberdade de viver em um motorhome significava uma vida simples, sem pagar aluguel ou contas de água e luz, além da possibilidade de conhecer diversos lugares, o confinamento em um espaço tão pequeno, principalmente nos dias chuvosos, quando ambos tinham que ficar dentro do veículo, começou a gerar muitas brigas.

A dupla começou a sentir falta das facilidades de uma casa “normal”. Como um banheiro, por exemplo. Afinal, tinham que fazer as necessidades de forma improvisada, utilizando uma garrafa plástica de 5 litros para o “número 1” e sacolas plásticas para fazer o “número 2”, já que a utilização do banheiro químico portátil demandava um trabalho maior. O chuveirinho externo para os banhos também era pouco utilizado, pois reduzia rapidamente as reservas da caixa d’água adaptada. .

Tomávamos banho nos chuveiros públicos das praias, ou então procurávamos rios, lagos e cachoeiras. Muitas vezes recorremos aos lenços umedecidos para fazer nossa higiene.


Em algumas localidades, encontraram áreas de camping gratuitas, onde se pode permanecer com o motorhome sem custo algum. “Como na Praia das Areias Brancas, em Rosário do Sul (RS). Um lugar lindo, onde você pode tomar um banho, usar o banheiro e descansar um pouco da viagem”. As aventuras do casal, registradas em vídeos postados no YouTube e também em fotografias e lives no Instagram, começaram a chamar a atenção de moradores de diversas localidades pelas quais passavam. Quando a Kombi chegava em uma cidade, muitas pessoas os procuravam para oferecer locais para banho, refeições completas e até convites para eventos.

Livre da depressão

Rogério diz que a recepção calorosa das pessoas e a liberdade de ir e vir a qualquer momento e para onde quisessem foram transformando o casal.

Foi maravilhoso, depois de alguns meses viajando, eu já não tinha mais sintomas de depressão e fui parando de tomar os remédios. Uma experiência como essa muda a cabeça da gente.

Depois de conhecer centenas de cidades no Paraná e Rio Grande do Sul, no verão de 2019 Rogério e Alessandra decidiram rumar até Santa Catarina, onde moraram por um tempo no litoral. Foi lá que ela aprendeu, com um hippie, a confeccionar pulseiras, colares e artesanatos que vendiam em feiras e eventos.

O parto de Arthur Aventureiro foi realizado em Vila Velha (ES), e coincidiu com o início da pandemia. Chegava ao fim a etapa de viagens realizadas na companhia da Kombi Haryana, que acabou sendo rifada para angariar fundos. “O Arthur teve uns problemas de saúde e tivemos que retornar para a Praia Grande, para que ele recebesse cuidados médicos. Ele fez a primeira viagem dele aos 16 dias de vida”, lembra Rogério.

“Limitamos nossos gastos a um valor total de R$ 1.200 por mês, que conseguíamos ganhar com a venda de artesanato, com os vídeos no YouTube e com a ajuda dos nossos seguidores. Passamos mais de um um ano viajando pelo Sul, até que soubemos que Alessandra estava grávida. Decidimos que o parto seria na Bahia e fomos percorrendo o litoral do Brasil, até chegar lá, mas o menino nasceu no meio do caminho”.

Mais espaço para a família

Com o montante arrecadado com a rifa da Haryana, cerca de R$ 50 mil, a família comprou um novo motorhome equipado, uma Kombi Karmann-Guia, um modelo híbrido de veículo que une a cabine de uma Kombi a um mini-trailer fabricado pela empresa.

O modelo, maior e mais confortável, conta com sofá-cama que vira mesa de refeições, ducha para banho e até banheiro. “A família cresceu, então precisávamos de mais espaço. E esse modelo é mais parecido com um trailer, dá para ficar em pé, não é como a Kombi onde a gente vivia sentado ou deitado. Quando a saúde do Arthur melhorou, em 2020, pegamos a estrada novamente”.

Nessa etapa da viagem, a família Fonseca percorreu cidades de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Espírito Santo e chegou ao litoral da Bahia. Arthur se acostumou rapidamente à vida na estrada. “Não podia ver uma praia ou uma lagoa na mata que queria sair correndo para brincar e mergulhar”, conta o viajante, avisando que a família agora se prepara para viver uma nova aventura. Dessa vez, com destino a outros países da América do Sul.

Nunca pensei que aos 50 e tantos anos fosse experimentar a alegria verdadeira. Viver viajando num motorhome é uma experiência incrível. Apesar dos perrengues, você conhece lugares lindos e pessoas incríveis, dispostas a te ajudar a continuar vivendo esse sonho.

Fonte: UOL
Foto: Reprodução/Instagram