Estamos a seis corridas do fim da temporada 2022 e, nesta reta final, veremos as equipes da Fórmula 1 fazendo de tudo para cumprir uma nova regra introduzida neste ano: a de ceder dois treinos livres ao longo do ano para jovens talentos. E mesmo com o fim da temporada a apenas dois meses, ainda temos times que sequer confirmaram seus planos.

Para cumprir a norma, são considerados jovens talentos pilotos que disputaram no máximo duas corridas na F1 ao longo de suas carreiras.

No começo da temporada, a maioria das equipes não tinham pressa em colocar os pilotos nos carros, sentindo que os titulares precisavam do máximo de quilometragem possível com os novos carros. Depois, elas sentiram que o importante era focar nas disputas pelo Mundial de Construtores.

Além disso, o teto orçamentário apertado faz com que as equipes temam possíveis danos nos carros causados pelos novatos, como foi com Alfonso Celis na Force India no GP do México em 2017.

Mas agora estamos a apenas seis corridas do fim da temporada para que as equipes cumpram essa obrigação, sendo que, no Brasil, teremos corrida sprint, o que dificulta o planejamento.

E não é apenas Interlagos. Em Singapura há os riscos associados com os circuitos de rua, além do fato dos pilotos não correrem lá desde 2019. O mesmo deve valer para o Japão, além de ser uma pista que facilmente pode causar problemas.

Mas não é impossível termos um novato em Suzuka, já que no passado Max Verstappen andou com a Toro Ross na pista, lá em 2014. Só que o Japão tem outra complicação: junto com Austin, as pistas foram escolhidas para os testes dos pneus 2023 da Pirelli, com TL2 estendidos para 90 minutos. De um lado, um piloto que perder um TL1 terá 30 minutos a mais de pista mas, de outro, eles terão que fazer o teste de pneus, criando uma situação mais complicada.

México é colocado como um plano B para a Pirelli caso uma dessas pistas tenha chuva no dia das sessões, mas pode ser um lugar popular para os novatos. E Abu Dhabi certamente será um local escolhido.

Mas o que complica é que os pilotos da F2 terão que se preocupar com o final de temporada. Enquanto o título já está decidido para Felipe Drugovich (que fará o TL1 em Yas Marina pela Aston Martin), as outras posições ainda estão em aberto, valendo pontos importantes para a superlicença.

Por isso, vamos olhar como está a situação de cada uma das equipes:

Mercedes

Nyck de Vries ocupou a vaga de Lewis Hamilton na França, e o holandês deve fazer mais uma sessão pela equipe. O problema é que, se ele assinar com algum time para 2023, eles podem querer colocá-lo no carro ainda neste ano.

Nyck de Vries, Mercedes W13

Nyck de Vries, Mercedes W13

Photo by: Alastair Staley / Motorsport Images

Red Bull

Jüri Vips guiou no lugar de Sergio Pérez na Espanha, antes da polêmica que o levou a perder a vaga de piloto reserva da equipe. Liam Lawson deve fazer o segundo no lugar de Max Verstappen, mas ele deve fazer ainda outra saída pela AlphaTauri.

Ferrari

Robert Shwartzman vem trabalhando duro no simulador, e deve fazer suas saídas com a equipe em Austin e Abu Dhabi. Será a primeira vez que o time usará um TL1 com um terceiro piloto em muito tempo.

Alpine

Oscar Piastri deveria fazer os TLs com a Alpine, mas isso não deve mais acontecer por motivos óbvios. Jack Doohan, que vai guiar o carro de 2021 na Hungria nesta semana, é a escolha lógica, já que segue como candidato para 2023. Mas se de Vries ficar com a vaga, a equipe pode querer colocá-lo no carro.

McLaren

Outra equipe cujos planos ainda não estão claros. A equipe adoraria ter Piastri no carro se a Alpine o liberar mais cedo. Porém, o time de Woking tem ainda Colton Herta, Pato O’Ward e Alex Palou no jeito. Todos guiaram o carro de 2021 e estão aptos a fazerem TLs. Zak Brown deixou implícito que Pato deve correr no México, mas ninguém tem isso garantido.

Alex Palou, McLaren F1 testing at Barcelona

Alex Palou, McLaren F1 testing at Barcelona

Photo by: Monaco Increase Management

AlphaTauri

Liam Lawson guiou pela equipe em Spa e deve fazer mais uma sessão. Mas esses planos podem mudar caso a Red Bull assine com de Vries.

Aston Martin

Sem um programa de jovens talentos até recentemente, a equipe escalou de Vries para um TL em Monza. Mas agora já sabemos que Drugovich fará sua estreia pelo time de Silverstone em Abu Dhabi.

Williams

De Vries fez uma sessão na Espanha, mas sua passagem pela equipe em Monza não contou nessa cota. Por isso, a Williams terá Logan Sargeant fazendo o TL1 em Austin.

Alfa Romeo

A equipe suíça leu o regulamento corretamente, e a FIA concordou que a estreia de Zhou Guanyu no Bahrein contou pela primeira cota. Theo Pourchaire fará a segunda no lugar de Valtteri Bottas, possivelmente no México, já que em Austin a equipe dará preferência aos titulares por causa dos testes da Pirelli.

Valtteri Bottas, Alfa Romeo C42

Valtteri Bottas, Alfa Romeo C42

Photo by: Alessio Morgese

Haas

A Haas ainda não confirmou seus planos, mas deve ter Pietro Fittipaldi em ambas as sessões, salvo algum motivo especial. Em Austin não teremos o brasileiro no carro, porque Antonio Giovinazzi já fará um treino com a equipe.

Fonte: UOL
Foto: Motorsport