O Papa Francisco fez um alerta neste domingo (25) contra as “injustiças e discriminações contra os pobres” de todo o mundo em uma missa para encerrar o 27º Congresso Eucarístico Nacional da Itália.

“As injustiças, as disparidades, os recursos da terra distribuídos de forma desigual, os abusos dos poderosos contra os fracos, a indiferença ao clamor dos pobres, o abismo que cavamos todos os dias, gerando marginalização, não nos podem – todas estas coisas – deixar indiferentes”, disse Francisco, na homilia no Estádio Municipal de Matera, cerca de 400 km a sul de Roma.

O religioso pediu para os fiéis serem “apóstolos da fraternidade, da justiça e da paz”, porque “nem sempre o pão é repartido na mesa do mundo”.

Segundo Jorge Bergoglio, uma Igreja “eucarística” é feita “de homens e mulheres que se partem como pão para todos aqueles que mastigam a solidão e a pobreza, para aqueles que têm fome de ternura e compaixão”.

“Deus pede então uma conversão eficaz: da indiferença à compaixão, do desperdício à partilha, do egoísmo ao amor, do individualismo à fraternidade”, acrescentou.

Durante a homilia, o argentino comentou uma passagem do Evangelho de São Lucas, na qual Jesus apresenta a parábola do homem rico e do pobre Lázaro, ao qual o rico não prestou atenção. “É doloroso ver que esta parábola ainda é a história dos nossos dias”, lamentou.

Para ele, a figura do pobre – que ao contrário do rico é tratado pelo seu nome -, “mesmo na sua condição de pobreza e marginalização, pôde manter a sua dignidade intacta, porque viveu em relação com Deus.

De acordo com Francisco, “não há verdadeiro culto eucarístico sem compaixão pelos muitos ‘Lázaros’ que ainda hoje caminham ao nosso lado”.

Por fim, o Pontífice falou sobre o consumismo e o culto da aparência, reforçando que “é a religião do ter e do parecer, que muitas vezes domina a cena deste mundo, mas no final nos deixa de mãos vazias”.

Ele convidou todos os católicos a redescobrir a oração, que liberta da “escravidão” do dinheiro, sucesso e do individualismo.

“O nosso futuro eterno depende desta vida presente: se cavamos um abismo agora com nossos irmãos e irmãs, cavamos a cova para depois; se agora erguemos muros contra nossos irmãos e irmãs, continuaremos presos na solidão e na morte, mesmo depois”, concluiu.

 

Fonte: UOL Notícias
Foto: Reprodução/Vatican News